A Câmara Municipal de Várzea Grande derrubou, na sessão extraordinária realizada hoje, terça-feira (10/02), 20 vetos da prefeita Flávia Moretti, em uma votação que evidenciou o agravamento da crise política entre o Executivo e o Legislativo municipal.
Do total de 23 vereadores, 19 votaram contra pelo menos um ou vários vetos da prefeita, contrariando a expectativa anunciada pelo secretário de Governo, Silvio Fidélis, que havia declarado à imprensa contar com apoio suficiente para manter os vetos do Executivo.
Apesar de haver votos pontuais favoráveis em casos específicos, a maioria dos parlamentares rejeitou em bloco os vetos, resultando em uma das derrotas políticas mais expressivas do governo municipal neste início de ano legislativo.
Os vetos derrubados referem-se, em sua maioria, a emendas parlamentares ao orçamento, destinadas a investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação, esporte, obras públicas e ações voltadas à solução dos recorrentes problemas de abastecimento de água no município.
Como votaram os vereadores
Votou favoravelmente à prefeita em todos os vetos:
- Charles da Educação (União)
Votaram contra a prefeita em pelo menos um ou vários vetos:
- Caio Cordeiro (PL)
- Gisa Barros (Podemos)
- Jero Neto (MDB)
- Braz Jaciro (PSDB)
- Enfermeiro Emerson (PP)
- Feitoza (PSB)
- Jânio Calistro (União)
- Alessandro Moreira (MDB)
- Dr. Miguel Junior (Cidadania)
- Wanderley Cerqueira (MDB)
- Adilsinho (Republicanos)
- Raul Curvo (Republicanos)
- Wender Madureira Filho (Republicanos)
- Carlinhos Figueiredo (Republicanos)
- Sargento Galibert (PSB)
- Rogerinho da Dakar (PSDB)
- Lucas Chapéu do Sol (PL)
- Bruno Rios (PL)
- Cilcinho (PV)
Vereadores ausentes na sessão:
- Lucélia Oliveira (Agir)
- Rosy Prado (União)
- Sardinha (MDB)
Mudança de cenário político
O resultado contrasta com o cenário de 2025, quando a prefeita Flávia Moretti aprovou 42 projetos enviados à Câmara, mantendo uma relação considerada estável com o Legislativo. Em 2026, no entanto, vereadores avaliam que o acúmulo de problemas estruturais da cidade e a falta de avanços concretos contribuíram para a mudança de postura do parlamento.
Nos bastidores, parlamentares apontam que a nomeação de Silvio Fidélis para a Secretaria de Governo ampliou o desgaste político. Fidélis foi coordenador da campanha de Kalil Baracat, adversário direto da prefeita nas eleições municipais, e sua escolha para comandar a articulação política do governo gerou insatisfação inclusive entre vereadores da base aliada.
Apesar da derrubada em massa, alguns vetos foram mantidos, acompanhando parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
A votação realizada hoje expõe um ambiente de forte tensão institucional e indica dificuldades para o Executivo avançar com sua pauta sem uma rearticulação política e maior diálogo com o Legislativo municipal.
