A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (24), uma operação com foco no combate ao fornecimento ilegal de combustíveis destinados a garimpos clandestinos instalados na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. A ação ocorreu nos municípios de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva contra apontadas lideranças do grupo investigado, além de quatro mandados de busca e apreensão em residências ligadas aos suspeitos. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres.
Investigação começou com fiscalização da ANP
As investigações tiveram início após fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que contou com apoio logístico e de segurança da Polícia Federal e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
A operação de fiscalização alcançou postos de combustíveis regularizados nas cidades de Conquista d’Oeste e Pontes e Lacerda, além de propriedades rurais que mantinham reservatórios para armazenamento de combustível.
Durante as diligências, os agentes identificaram o armazenamento irregular e a comercialização clandestina de óleo diesel em uma fazenda situada a poucos quilômetros de área de garimpo ilegal. No local, foram apreendidos aproximadamente 15 mil litros de diesel, além de um tanque com capacidade para 15 metros cúbicos.
Mais de 4 milhões de litros adquiridos
Com o aprofundamento do inquérito, a ANP apresentou informações que reforçaram as suspeitas de atuação estruturada do grupo. Segundo a apuração, os investigados teriam adquirido mais de 4 milhões de litros de óleo diesel ao longo de 21 meses — volume considerado incompatível com as atividades declaradas.
De acordo com a Polícia Federal, o combustível abastecia maquinários pesados utilizados na extração ilegal de minério dentro da Terra Indígena Sararé, área protegida por lei e alvo frequente de operações contra crimes ambientais e invasões.
Próximos passos
Após o cumprimento dos mandados, o material apreendido será submetido à análise para consolidar as provas já reunidas e identificar possíveis novos envolvidos na cadeia de fornecimento que sustentava o garimpo ilegal.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que os responsáveis poderão responder por crimes ambientais, usurpação de bens da União, comercialização irregular de combustíveis e organização criminosa.
