A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Conluio Pantaneiro, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro nas regiões de fronteira. A ação cumpre 62 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões, além do bloqueio de valores e sequestro de bens.
As diligências ocorrem em diversas cidades, como Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Poconé, além de Taubaté e Cruzeiro do Oeste.
O ponto de partida das investigações foi justamente em Poconé, município que ganhou protagonismo na operação. Foi na região, mais precisamente na Estrada Transpantaneira, que ocorreu uma das maiores apreensões recentes de drogas no estado. Em setembro de 2023, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) interceptou um carregamento de 461 quilos de cocaína, fato que desencadeou uma investigação aprofundada sobre o esquema criminoso.
A partir dessa ocorrência em Poconé, a Polícia Civil conseguiu mapear toda a estrutura da organização, que atuava de forma estratégica nas rotas do Pantanal, utilizando a região como corredor para entrada e distribuição de entorpecentes. Ao longo de mais de dois anos de apuração, foram identificados ao menos 20 integrantes e 12 empresas ligadas ao grupo.
Segundo a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, a facção operava com alto nível de organização, com divisão de tarefas e uso de empresas para ocultação de patrimônio. O líder, residente em Cáceres, coordenava toda a logística — desde o recebimento da droga na fronteira até o envio para outros estados.
As investigações também apontam que, entre junho e agosto de 2023, a organização recebeu pelo menos seis grandes carregamentos de drogas, totalizando cerca de 2,7 toneladas de pasta base de cocaína. Grande parte dessa movimentação teria passado por rotas próximas a Poconé, reforçando a importância estratégica do município no esquema criminoso.
Além do tráfico, o grupo estruturou um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro, movimentando aproximadamente R$ 54 milhões, por meio de contas bancárias e empresas interligadas, com o objetivo de dar aparência legal aos recursos ilícitos.
A operação contou com o apoio da Receita Federal do Brasil e da Politec, que auxiliaram na análise financeira e produção de provas.
A ação faz parte do planejamento estratégico da Segurança Pública dentro da Operação Pharus, iniciativa do programa Tolerância Zero voltada ao enfrentamento de facções criminosas no estado.
Com forte ligação às rotas do Pantanal, Poconé se consolida como peça-chave tanto para a atuação criminosa quanto para o trabalho das forças de segurança, que intensificam a vigilância na região. As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.
Fonte: PJC MT
