Movimentações na gestão da prefeita Flávia Moretti geram questionamentos sobre possível aproximação com grupos políticos ligados ao governo Lula em Mato Grosso.
Os bastidores políticos de Várzea Grande voltaram a ganhar temperatura nesta semana diante de informações que apontam para uma possível mudança significativa na condução política da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). A eventual exoneração do atual secretário municipal de Educação, Igor Cunha, somada a articulações envolvendo novos nomes para a administração, levanta questionamentos sobre os rumos políticos do governo municipal.
Segundo informações divulgadas pelo site Empallador, a substituição no comando da Secretaria de Educação pode abrir espaço para a indicação de um nome ligado ao grupo político do ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) — uma das principais lideranças aliadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso.
Nos bastidores da política várzea-grandense, comenta-se que a possível nova titular da pasta seria irmã de Dito Loro, ex-secretário de Governo e figura de forte influência na gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB). Caso a movimentação se confirme, o gesto pode ser interpretado como uma sinalização de abertura da atual gestão a grupos políticos que historicamente estiveram em campos distintos do projeto que elegeu Moretti.
A situação ganha ainda mais repercussão diante da possibilidade de outros nomes ligados ao antigo grupo político da cidade também passarem a integrar a administração. Um dos citados nos corredores políticos é o vereador Jero Neto (MDB), primo do ex-prefeito Kalil Baracat.
Na prática, o que se desenha — caso os movimentos sejam confirmados — é uma tentativa de ampliar a base política da prefeita. Contudo, esse processo não ocorre sem desgaste. Parte da base que apoiou a eleição de Flávia Moretti demonstra desconforto diante da possível aproximação com lideranças que, até pouco tempo atrás, figuravam no campo adversário.
O incômodo também teria alcançado o núcleo do próprio Executivo municipal. Informações de bastidores apontam que o vice-prefeito Tião da Zaeli participou de uma reunião considerada tensa na manhã desta quarta-feira, evidenciando divergências internas sobre a condução política da administração.
Entre cabos eleitorais e apoiadores que foram às ruas defender o projeto representado pelo número 22 nas eleições, cresce a sensação de frustração. Para parte desse grupo, a gestão que chegou ao poder sob o discurso de renovação política corre o risco de repetir práticas tradicionais da política local, reabrindo espaço para antigas lideranças e estruturas de poder.
Naturalmente, na política, alianças são frequentemente redesenhadas conforme as necessidades de governabilidade. No entanto, quando essas mudanças parecem distantes das expectativas criadas durante o processo eleitoral, surgem questionamentos inevitáveis por parte da sociedade e da própria base que sustentou o projeto nas urnas.
Até o momento, a Prefeitura de Várzea Grande não se pronunciou oficialmente sobre a possível exoneração na Secretaria de Educação nem sobre as articulações políticas mencionadas nos bastidores.
Enquanto isso, a cidade acompanha atentamente os próximos passos da administração municipal — na expectativa de entender se as movimentações representam uma estratégia de governabilidade ou uma mudança mais profunda no projeto político que levou Flávia Moretti ao comando do Executivo.
